Eu sempre senti
uma confiança, previsão, ou quem sabe só esperança, de que um dia eu iria
escrever. Apenas nos sonhos me vislumbrava rodeada de gatos, com uma fumegante
caneca de café do lado, escrevendo naquelas máquinas de escrever charmosas e
tão “vintage”, enquanto uma chuva tranquila caía durante uma tarde de outubro.
Apenas nos sonhos. Quando eu realmente parava para pensar sobre o assunto, não
havia gatos, a máquina de escrever era um modesto computador e, ao invés de
chuva, havia um sol escaldante que obrigava um ventilador cansado a trabalhar
incessantemente. Bom, pelo menos o café estava lá, disso não abro mão.
A realidade
mudava a perspectiva porque eu somava todas as circunstâncias positivas e negativas
para escrever. Eu sempre soube que dependeria de inspiração, e esta vem e vai
de forma bem frequente. Sabia que precisaria de muita dedicação e tempo, e que,
com a vida que escolhi ter, provavelmente, eu nunca conseguiria “parar para
escrever”, o que me exigiria planejamento e adequação para conciliar as duas
coisas. Claro, os custos de publicação (pois a maioria dos autores não se
satisfaz sem mostrar seus escritos ao mundo) se constituíam o grande problema,
destacado com a luz amarela ao longe, sobre um pedestal cercado de fumaça cinematográfica.
E quem dera fosse só isso. E se ninguém gostasse? E se as minhas frases mais
parecessem delírios? E se eu me propusesse a fazer algo que não conseguiria
terminar? Como resolver essas questões inquietantes? De bom eu conseguia
imaginar um livro terminado, quem sabe uma reedição naquelas capas lindas, um
sorriso de contentamento, ideias e ideias, eu escrevendo sem parar e feliz.
Passei vários
anos considerando tão pequenas as minhas boas chances, os aspectos positivos da
minha empreitada adormecida. E eu fiquei cansada. Não sei o que vai acontecer,
mas decidi começar a escrever. O blog já existia há alguns anos, sem muita
movimentação, pois eu tinha dificuldade de decidir que direção dar aos textos.
Além disso, a grande exigência que classificava os textos em medíocres e nunca
prontos para divulgação. Não sei se é o ar de ano novo do início deste ano, mas
senti vontade de começar a escrever de verdade, sem me importar se vou poder
publicar ou não, se vou conseguir continuar. Isso fica para amanhã, hoje quero
começar, eu quero escrever.
Não defini um
tema específico, ou um estilo, quem sabe até se não aparece uma poesia vez ou
outra? Acho que sou um rascunho de escritora, e ainda não tenho maturidade
autoral suficiente para estipular com tanta certeza sobre o que vou me debruçar
para escrever. Vou deixar que, aos poucos eu consiga encontrar meus pontos
certos na escrita. Pelo menos já sei que ela acontecerá, preferencialmente,
durante a noite, por isso o nome do blog. Parece que, para mim, é quando as
coisas funcionam. Meu cérebro fica alerta, o silêncio coordena os passos, eu
fico em sintonia com as ideias fervilhantes. Parece que é quando eu consigo
ouvir melhor o que a minha mente quer dizer.
Enfim, eu me propus
este desafio, sem pretensões maiores. É mais como uma coerente atitude em razão
da confiança, previsão ou esperança que sempre tive de me transformar em alguém
que escreve com frequência, sem rasgar ou guardar seus escritos, como eu sempre
fiz. E quando for possível, escrita nova no blog.
Este post foi escrito enquanto eu
ouvia “Turn the page” do Metallica.